14 maio, 2016

Luta de Classes

Mais uma vez pego num tema do passado, sim, do passado, porque isto da luta de classes é uma coisa que hoje em dia já não faz muito sentido. Que classes? Já não há pobres nem ricos, hoje somos todos cidadãos de pleno direito neste mundo ou no Facebook pelo menos. E se não é esta ideia impingida que nos engana é o nosso próprio ego que se recusa a admitir que somos mais pobres que alguém, vivemos segundo a nossa ambição e não segundo a nossa realidade, queremos ser ricos, logo recusamos a ideia de sermos pobres.

O capitalismo vai usando isto com mestria contra nós e nem sequer percebemos.

Acreditamos em ideias que nos vão sendo plantadas no cérebro e que crescem como ervas daninhas e não paramos um segundo para perceber que aquilo que pensamos não é aquilo que pensamos e que na realidade pensar, pensamos pouco.

Mas a verdade é que a luta de classes e acima de tudo a consciência de classe faz tanto sentido hoje como fazia há quase 170 anos atrás.

Sem consciência de classe damos por nós a travar batalhas que não são nossas e a defender interesses que em nada nos beneficiam.

Tudo isto nos vai sendo injetado desde cedo, na escola, nos media e nos nossos postos de trabalho.
Toda esta mentalidade submissa nos é vendida como bom senso, quando é precisamente o oposto.

Quem no seu perfeito juízo defende o seu opressor?

Ou será que estamos todos a sofrer de Síndrome de Estocolmo?

O inimigo não dá tréguas, porque havemos nós de dar? Temos que defender os nossos interesses, os interesses da classe onde nos inserimos.
Os ricos nunca deixam de agir como ricos, não se esquecem de defender a sua riqueza!
Porque é que temos que ser nós a defender os interesses de quem nos mantém na pobreza, nos intimida e coage? Não temos!

O que temos que fazer é despertar, perceber o que nos rodeia e que ideias nos podem tirar deste buraco, não temos que acreditar que a austeridade nos estava a fazer bem só porque um orelhudo o diz na TV!


Temos que pensar! Saber quem somos e o que queremos! Temos um longo caminho pela frente… HC

02 março, 2016

Os Destiladores de Ódio

Com o advento das redes sociais começa a transparecer uma nova característica de alguns seres humanos.
Pessoas que anteriormente conhecíamos como educadas e simpáticas confrontam-nos agora com toda uma panóplia de intervenções odiosas e comentários de baixo nível.

Não me parece que seja uma nova característica, mas sim algo que estes indivíduos evitavam fazer pessoalmente junto dos seus pares, algo a que agora, no recato do lar, na segurança da sua cadeira, na inconsequência deste novo invento que é a internet, se permitem.

Todo este movimento de gente em conflito, conflito aparentemente inconsequente, torna a internet um sitio pior para se estar, pior do que alguma vez foi.
Antes a internet era mais escura, mas brilhava mais do que o faz agora sob o disfarce de layouts limpinhos.

Falta à internet a consequência de se estar frente a frente e sujeito a levar uma bordoada quando se diz uma barbaridade.

Sempre que acontece algo no mundo vêm os destiladores de ódio, cheios de si, comentar nas caixinhas brancas e limpas dos seus facebooks as suas mais sujas opiniões, as suas verdades, às quais estão sempre dispostos a juntar ameaças de agressão física caso alguém discorde.

Isto serve tanto para quem está do lado da intolerância como para quem está do lado da tolerância, pois à falta de melhores argumentos, ou à falta da capacidade de articular o que se pensa, os internautas juntam de imediato o seu argumento final, o ódio, a ameaça de violência, pois ao que parece já ninguém sabe discutir ideias, ninguém está preparado para dizer que errou e que o argumento do outro supera a lógica do seu, ninguém muda de ideias depois de uma conversa ou uma discussão.

Somos hoje uma sociedade de gente casmurra!
Gente que prefere partir para a violência a permitir que alguém lhe mude a forma de pensar.

É esse o legado que nos é transmitido também pêlos debates televisivos, em que ganha quem fala melhor, não quem tem a melhor ideia.
Então, os intervenientes munem-se de argumentos fortes e cortinas de ferro impenetráveis para que não sejam derrotados.
O resultado final é a vitória de um interveniente e a derrota de todos, pois o pensamento fica estagnado no meio de vários fortes argumentos, extremamente bem ensaiados e testados, mas que na realidade não servem para mais do que para ganhar uma luta de palavras.

Assim se transpõe essa ideia para as discussões nas redes sociais, todos intolerantes, todos certos que a sua ideia é a mais forte, ninguém disposto a ouvir ou ler o que alguém possa ter para dizer, em que o argumento do interveniente anterior serve apenas para construir o nosso contra-argumento.

E assim passam as pessoas os seus dias a destilar o seu ódio por tudo e mais alguma coisa, seja na defesa ou no ataque, mas nunca dando o braço a torcer sobre nada.
Será difícil que uma sociedade se una e evolua neste panorama, o que mais se produz nestas condições é intolerância e facções opostas, ao invés de se produzirem consensos e harmonia.


Criámos assim uma sociedade que se preocupa mais com aquilo que a separa do que com aquilo que a une, ficando assim fragmentada e sem capacidade de resposta colectiva aos desafios com que se depara. HC

28 janeiro, 2016

Corpo Nacional de Tabefes

Diariamente, por esse Portugal fora, assistimos às mais gritantes exibições de falta de civismo, estupidez na sua forma mais pura, falta de respeito pelo meio ambiente e pela natureza e, em suma, à total ausência de educação para a interacção numa sociedade civilizada, ou para residir na aldeia dos macacos que seja.

Face à situação actual, propunha a criação de um Corpo Nacional de Tabefes, que na minha ideia consistiria na criação de equipas bem treinadas de agentes incorruptíveis que discretamente patrulhariam as ruas, estariam presentes em estabelecimentos de prestação de serviços, parques de merendas, centros comerciais, etc… Um em cada esquina seria o ideal, mas sei que face ao panorama económico nacional, a única coisa que conseguiríamos pagar para ter em cada esquina seriam Salazares sem amigos.

A única acção que estes agentes iriam realizar seria a aplicação de um tabefe bem aviado, dentro dos trâmites legais, a qualquer perpetrador, sem explicações, sem reprimendas, uma singela bofetada com toda a força na face.

Estes agentes estariam sempre à paisana, pois o efeito surpresa seria essencial.

Mediante a infracção, o agente procederia à aplicação de diferentes tipos de tabefe, que variariam entre a lamparina nos queixos, à bofetada com um bacalhau seco nas fontes, mas posteriormente o castigo seria definido mediante o delito.
Um indivíduo que vem a conduzir sem cinto de segurança e depois estaciona num lugar para deficientes, logo à saída da viatura deverá levar com um gato morto na tromba até miar, isto apenas a título exemplificativo.


Como cidadão creio que esta medida seria um avanço civilizacional, uma vez que está comprovado que ninguém liga a reprimendas, multas ou reconhece alguma vez que errou, esta medida a curto prazo tornar-se-ia preventiva, pois para evitar levar uma lambada no focinho os cidadãos cumpririam as regras da boa convivência em sociedade e com o meio ambiente, que conhecem, mas que diariamente, no meu ver por falta de consequência, escolhem ignorar. HC

12 janeiro, 2016

Eu e o Meu Cavaquinho...

Tenho 30 anos e venho falar-vos de algo que me acompanha aproximadamente desde que me lembro de existir e ter consciência do que me rodeia.
O meu Cavaquinho, mas não sou egoísta, o Cavaquinho de todos nós afinal.

Era uma criança quando tomei conhecimento de que éramos governados por alguém e que esse alguém era o Cavaquinho, o nosso Primeiro-Ministro, depois também havia o senhor que andava de tartaruga, mas esse era mais como um Rei, era o Presidente da República, não me lembro de nada antes disso, apenas sabia que chamar fascista a alguém era o pior insulto de todos e que os do CDS eram fascistas.

E até ter dez anos os anos foram passando, uns melhor, outros pior, sei que os meus pais passaram períodos difíceis, alguns de nenhum trabalho, outros de muito trabalho e pouco dinheiro, de trabalho precário, de repressão de direitos e regalias adquiridos e sempre de incerteza no futuro, mais ou menos como os de hoje.

Em 1995 uma coisa era certa para mim, o Cavaquinho era mau, ninguém gostava dele! Mas ninguém mesmo! O tipo até o Carnaval tirou à malta! E isso é coisa que nem o Salazar fez! Só o Passos Coelho, mais recentemente…

Mas em 1995 tudo isso acabou, o Cavaquinho foi embora e não se voltou a ouvir falar muito nele, começou o tempo das vacas gordas para alguns, para nós as vacas mantiveram a linha, porque o dinheiro não esticava tanto para nós como parecia esticar para outros.

Quando o Cavaquinho se candidata para as eleições de 2006, para mim foi mais ou menos como a candidatura do Tino de Rans, não havia hipótese deste ganhar o que quer que fosse, ninguém gostava dele! Ninguém!

Ganhou… Comeu bolo-rei, segurou em cagarras…

E quatro anos depois ganhou outra vez… mas desta vez já não me surpreendeu muito porque já me tinha apercebido que os Portugueses são um bocado estúpidos e que as únicas coisas nas quais têm bom gosto e são exigentes é na Sardinha e na Entremeada. De resto comem qualquer merda!

Agora o Cavaquinho vai embora e ninguém gosta dele! Ninguém!
Mas quando falecer, em breve, vai para o panteão e disso não tenho dúvidas. HC


P.S. – Para quem lê na diagonal e tenha ficado a pensar que isto era uma estória sobre um instrumento musical, dá música, mas os instrumentos somos nós. O Cavaquinho é Aníbal Cavaco Silva!

17 novembro, 2015

O Distúrbio Mental Português

Ser português é muito mais complexo do que se possa imaginar e todos tendem a subestimar a nossa capacidade de enviar mensagens confusas.
Não tenho a certeza se é recente ou se sempre fomos assim, mas parece-me que Portugal é um país que até a Freud deixaria confuso.


Tenho a certeza que todos já sentiram na pele os efeitos desta nossa doença.
Seja no DJ que salta de Rage Against the Machine para Miley Cyrus, ou quando ouvem, na opinião pública, aquela senhora desempregada de 47 anos a defender o governo de Passos Coelho.
Ou até mesmo nas vossas próprias acções, quando andam deprimidos de dia para brilharem à noite ou quando andam quatro anos a criticar um governo e depois não vão votar ou votam nos mesmos.
Ou aquele fenómeno, que gosto de chamar “O Voto Fantasma”, em que se sabe que 50% dos eleitores votaram num partido, elegeram um governo e assim que eles começam fazer porcaria já ninguém votou neles!

Elegem-se governos só para depois se criticar!
Pois convenhamos, se a coisa corresse bem não tinha piada nenhuma!

Acho que existe uma grande falta de sentido crítico em relação a nós próprios, se calhar vem do mimo excessivo que TV’s e políticos nos têm dado, sempre a afirmar que o povo é soberano, que os portugueses sabem o que fazem, que escolhemos assim ou escolhemos assado e até se prestam a tentar decifrar intenções claras a partir de percentagens!

Mas aí entra mais um exemplo desta nossa maleita, somos tão senhores do nosso nariz, tão conscientes do que fazemos e das decisões que tomamos que não admitimos que ninguém nos chame a atenção das nossas falhas!

Ai de quem ouse criticar publicamente a Vontade Popular! É queimá-lo em praça pública!

E a grande verdade é que todos usam isso a seu favor, os políticos manipulam-nos com isso, se votamos neles a vontade popular é inquestionável e soberana, se não votamos neles foram os adversários que enganaram o Povo!

Coitadinho do Povo!

O Povo nunca erra!
Mas a verdade é que erra.
Erra e muito! Erra quando se deixa enganar. Erra quando escolhe ser ignorante em vez de se informar e cultivar. Erra quando dá ouvidos a comentadores, políticos e padres em vez de pensar pela sua própria cabeça.
Erra pois julga-se soberano, mas não faz nada sem ter à frente um capataz!

As TV’s afirmam que nos dão aquilo que queremos ver, aquilo que vende! E nós criticamos as TV’s, porque custa admitir que nos dão merda e nós comemos, sorrimos e pedimos mais!

O Povo não é um ser abstracto! Não pode ser o termo que usamos para descrever todos menos nós! Somo nós! Todos nós! O nosso dever é progredir culturalmente e ser dignos das escolhas que nos são dadas a fazer!
E o que temos feito? Precisamente o contrário!
Temos regredido culturalmente, estamos numa era de tacanhez em vez de progresso!


A verdade é que Povos Cultos são o único instrumento que permite garantir Estados Verdadeiramente Democráticos, Progresso e a Construção de um Mundo Melhor! HC

14 novembro, 2015

Paris!

Não me vou dar a ares de analista ou comentador, não vou chover no molhado ou meter achas na fogueira e nem sequer gosto de falar sobre este tipo de coisas a quente pois corro o risco de dizer coisas mais parvas do que o habitual, mas hoje tenho que escrever…

Estou cansado de ver bombas a rebentar, armas a disparar e pessoas a morrer, estou farto do mundo como ele é.
Estou ainda mais farto de ignorância, medo, extremismos e ódio!

Acontecimentos como este dão-se pelo mundo fora numa base diária e já chega!
Já chegava antes de acontecer a primeira vez!

Já chega de guerra, já chega de fome, já chega de miséria e de morte!

Estou revoltado, com um sentimento de ansiedade e impotência que não consigo descrever, mas estou sobretudo cansado. Basta!

Já não suporto ver a religião culpar a religião!
Já não suporto ver racionalizar o irracional!
Já não suporto ver a ignorância a gerar ignorância, o ódio a gerar ódio, o medo a gerar medo e o extremismo a gerar extremismo!

Onde fica a razão?
Onde fica a humanidade?
Onde ficam os nossos valores?

Não vou rezar por Paris e não vou rezar por ninguém.
Eu não rezo!
Não acredito em Deuses nem figuras míticas.
Não acredito em vontades nem intervenções divinas, nem na auto-ajuda pela crença!
Acredito que a Razão é melhor conselheira que qualquer texto sagrado.

Acredito ainda, com dificuldade, devo confessar, na Humanidade!

É então à Humanidade que me dirijo:
Não chega já?
Não estão fartos e cansados também?
Até quando é que vamos continuar neste caminho que todos sabemos que nunca nos vai levar mais longe que a nossa própria autodestruição?

Hoje gostava que se parasse de ver notícias e de percorrer as páginas das redes sociais.
Hoje gostava que o Mundo parasse! Desligasse tudo! E reflectisse.

Se calhar iríamos sentir-nos mais ligados do que alguma vez nos sentimos… HC

06 novembro, 2015

Ia Escrever um Texto e… WOW!… Nem Vão Acreditar No Que Aconteceu a Seguir!

Tenho a certeza que todos já nos deparamos, naquele antro que é o Facebook, com aquelas Pseudonotícias que invadem os nossos murais e nos aguçam a curiosidade só para depois nos cravarem um Like e nos deixarem com aquele mau estar de quem acabou de ser intrujado.  

Quantas vezes não entraram já numa dessas publicações, na esperança de ver algo verdadeiramente incrível e inacreditável, só para em poucos segundos perceberem que não aconteceu nada!



Façam este exercício comigo, vamos supor que isto não é só uma manobra publicitária de baixo nível para sacar Likes e visualizações à malta e que quem publica aquelas coisas fica realmente entusiasmado com determinada situação ao ponto do êxtase e da incredulidade.

Alguém que tenha esse nível de sensibilidade quando exposto a acontecimentos corriqueiros devia andar sempre acompanhado de um médico!

Imaginem este tipo, depois de uma noite de copos, na janela de um café que costuma frequentar, que por sua vez tem vista para uma esquadra de Polícia e vê chegar uma carrinha, uma Ramona vá, até aqui tudo normal, dá mais um golo na cerveja, volta a olhar e a porta da Ramona já está aberta com dois agentes a saírem lá de dentro e quando espera ver um terceiro agente a sair da Ramona vê em vez disso uma Cabra à trela! (E quando digo Cabra refiro-me mesmo a um animal da Subfamília dos Caprinos)
Pois é! Paragem cardíaca na hora! Já nem chega a publicar isto porque quinou!
E depois ainda surge a dúvida, qual é a história mais inacreditável?
A cabra que saiu da Ramona? Ou o gajo que morreu porque viu uma cabra a sair de uma Ramona?
Agora pensem!

Já não bastavam as citações de auto-ajuda e de infinita sabedoria que levam sempre um nome de alguém famoso da história por baixo, assim só para dar mais credibilidade à coisa e que depois se vai a ver estava escrito numa casa de banho de um bar qualquer?


Exaltei-me um pouco e divaguei, mas voltando ao assunto, parem com essa merda! HC

05 novembro, 2015

Crónica de Um Cordelito



Devo dizer que já fui a manifestações, nunca fui a nenhum cordão humano, mas manifestações já tenho várias no currículo e não me lembro de participar em nenhuma com cerca de mil pessoas, cheira a coisa caseirinha, mas temos que dar o desconto pelo amadorismo, é que já lá vão mais de 41 anos desde a última manifestação organizada pelo regime neste país e é daquelas coisas em que a experiência conta… a experiência e talvez o motivo também tenha alguma influência no resultado final.

No entanto, gostava de saudar a coragem destas cerca de mil pessoas que compareceram, é que apoiar este governo publicamente é o mesmo que dizer abertamente em conversa que se é racista, são duas coisas que é preciso coragem.

Também é sabido que muitas vezes a coragem e a idiotice andam de mão dada, tudo depende do resultado final, se correr bem foram corajosos, se a coisas dá para o torto são uns idiotas, neste caso… pronto…

O que não posso deixar de chamar a atenção é à projecção mediática que se dá a uma coisa destas.
Mais uma vez os nossos Media não desiludiram e tomaram o partido do dono, ora, também não vamos exigir que os profissionais dos meios de informação ponham em causa os seus postos de trabalho só porque o cordelito não esticou o idealizado e todos sabemos que a verdade está claramente sobrevalorizada.
É irreal assumir que nestas coisas os meios de comunicação sejam imparciais, não vamos viver utopias!
No entanto há pontos positivos, ficámos a saber que o factor de comparação de importância entre uma manifestação de direita e uma manifestação de esquerda é de cerca de 1 para 800.

Gostaria de também salientar a superioridade moral e a cidadania exemplar que caracterizam os apoiantes deste governo e as pessoas de direita em geral é que em comparação com aqueles bárbaros das esquerdas radicais e extremistas são uma lufada de ar fresco.

A única coisa que geralmente joga contra a direita são mesmo as ideias, é que entre um cidadão exemplar que defende o empobrecimento da maioria dos seus pares para benefício próprio e a besta que defende a igualdade entre os seus pares por vezes em prejuízo próprio, se calhar ficávamos mais bem entregues às bestas… HC

Limpar a Casa - Versão 500.1


Está na hora de fazer mais uma limpeza a esta casa e começar de novo com as macacadas.
Se é certo que não posso prometer uma participação tão regular quanto gostaria, prometo apenas não deixar morrer esta aldeia dos macacos já com 11 anos e que tanto trabalho nos deu a construir e que já muitas alegrias nos deu, vá, não foram muitas, nem sei se se qualificam como alegrias, mas pronto, coisas, deu-nos coisas, imateriais claro...

Por isso, declaro novamente abertas as hostilidades! HC

15 março, 2014

O Estado a que Isto Chegou…

É difícil escrever.
É difícil olhar para esta actualidade e comentar o que quer que seja sem pensar que é um exercício vazio.
Porque na realidade está tudo mal!

Eu sei que é um chavão dizer que está tudo mal, mas está.

Todos os dias ligo a televisão ou navego na internet e o que vejo são notícias manipuladas ou noticias sem qualquer interesse prático a serem noticiadas como se do mais fulcral se tratasse.
Vejo a comunicação social noticiar sem qualquer sentido de responsabilidade ou isenção.
O jornalismo tornou-se mais uma charada!
Temos inclusive canais televisivos que se vangloriam por criarem opinião!
Eu não sei quanto a vós, mas eu não preciso que ninguém me crie opinião, o que preciso é de saber o que realmente está a acontecer, a minha opinião quem a cria sou eu!

Eu sei que parece uma teoria da conspiração, mas começo a acreditar realmente que toda a actualidade que nos é vertida para cima em doses industriais não passa de areia a ser atirada para os nossos olhos, com o simples intuito de desviar as nossas mentes do que realmente importa.

No caso de Portugal, o que realmente importa é acabar de vez com este modelo de governação!
E não estou a falar de demitir o governo, realizar eleições e colocar lá o PS…
Estou a falar de Revolução!

De que servem os valorosos esforços de alguns, que tentam agir como força de bloqueio, jogando pelas regras, se as suas acções são depois desvalorizadas, ignoradas ou até subvertidas pelos meios de informação?

De que serve defender a Revolução de Abril se já não vivemos as suas conquistas?

Temos que Realizar Abril!
Realizar o sonho que nunca foi realidade, mas sim uma mera distracção enquanto os mesmos actores da cena anterior mudavam de roupa e preparavam novas personagens!

Portugal está doente! E o que vejo são pessoas, boas pessoas, que concentram a sua energia, o seu conhecimento, a sua boa vontade, em tratar os sintomas dessa doença, quando devíamos estar a trabalhar numa cura!


Temos sido irresponsáveis e negligentes para com os nossos direitos, talvez para não termos que encarar as nossas responsabilidades, mas a verdade é que se não tomamos as rédeas do nosso futuro, pouco futuro temos… HC

29 janeiro, 2014

Números

Para eles somos apenas números!
Não me recordo já de quantas vezes ouvi esta frase enquanto crescia e de quantas vezes pensei que isso não fazia sentido, pois eu não sou um número, ninguém é!

Agora percebo o que queriam dizer… somos o número de votos, o número de euros que contribuímos, o número de desempregados e empregados, o número de vassalos!

Mas para mim isso continua a não fazer sentido, porque nós não somos só números, ninguém é só um número!

E é por isso que para mim eles não são só as Bestas que nos lideram, são seres humanos, embora à primeira vista possam não o parecer, como nós numa folha de papel também possamos não o parecer para eles.

Mas a verdade é que somos todos iguais!

A única diferença entre nós é que eu já sei que eles são humanos e eu para eles ainda sou só um número…

Mas isso um dia vai mudar… mesmo que eles não mudem, nós abriremos os olhos e escolheremos alguém para nos liderar que não seja uma Besta e que não nos veja como números!


Até lá… Lutamos! HC

17 agosto, 2013

O Caminho do Abismo

 Portugal dirige-se a todo o gás para o abismo social, com as mais absurdas privatizações em vista. 

 Para os mais desatentos ou para aqueles que lhes custa a acreditar que estão a ser enganados, tudo isto pode passar despercebido, é um facto, mas a verdade é que está em marcha, sem dramatismo, a destruição pura e completa do Estado! 


 Não pretendo entrar em detalhes maçadores, por isso vou enumerar apenas as áreas que estão à beira do abismo e onde o Portugal decidiu dar o passo em frente: 


 SAÚDE – Já vem do governo PS em que foi introduzido o conceito de USF (Unidade de Saúde Familiar), este novo tipo de centro de saúde, que muitos de vós podem já estar inseridos e nem sequer notar a diferença, introduz a possibilidade de privados administrarem centros de saúde de cuidados primários, tudo são rosas neste novos centro, mais vagas, mais facilidade de acesso, melhor acompanhamento, menos para quem fica sem médico de família. Nas USF o conceito de utente sem médico de família não existe, mas por vezes os números de médicos da unidade não cobre toda a população, este excedente de utentes tem que depender da “caridade” de um centro de saúde tradicional vizinho que irá ter que criar condições para o atendimento destes utentes. Até ao momento não tenho conhecimento de nenhuma USF administrada por privados, mas decerto não tardarão a aparecer, desde o momento que o investimento lhes pareça vantajoso. 


 O mesmo não pode ser dito dos Hospitais, onde já existem as parcerias público-privadas, que a olho nu pode parecer algo fabuloso, com o que parecem ser melhores instalações, melhores condições de acesso, tudo de bom portanto! A verdade é que todos estas vantagens derivam apenas do facto de funcionarem em instalações recém-construídas, não por a gestão privada ser melhor que a pública. Até porque se a saúde é uma área que segundo os nossos governantes dá prejuízo, que interesse poderiam ter os privados senão a elaboração de contractos e acordos que prejudicam o estado, logo os contribuintes, por conseguinte os utentes, com o resultado final de um serviço em nada superior ao público e com custos mais elevados. 


 EDUCAÇÃO – Em relação a este tema, sobre o qual não estou tão bem informado, deixo-vos um texto que não é meu, mas que remete às origens desta ideia tão original que são os Cheques –Ensino:


 "Tragédia em Nova Orleães, 2005. Enquanto o mundo assiste ao flagelo dos moradores com as inundações causadas por tempestades que estouraram os diques da cidade, o economista Milton Friedman apresenta no jornal The Wall Street Journal uma ideia radical. Aos 93 anos de idade e com a saúde debilitada, o papa da economia liberal das últimas cinco décadas vislumbrava, naquele desastre, uma oportunidade de ouro para o capitalismo: "A maior parte das escolas de Nova Orleães está em ruínas", observou. "É uma oportunidade para reformar radicalmente o sistema educativo". Para Friedman, melhor do que gastar uma parte dos bilhões de dólares do dinheiro da reconstrução refazendo e melhorando o sistema escolar público, o governo deveria fornecer vouchers para as famílias, que poderia gastá-los nas instituições privadas. Estas teriam subsídio estatal. A privatização proposta seria não uma solução emergencial, mas uma reforma permanente. A ideia deu certo. Enquanto o conserto dos diques e a reparação da rede eléctrica seguiam a passos lentos, o leilão do sistema educativo tornava-se realidade em tempo recorde." (A doutrina do choque)


 Acredito que o paralelismo possa parecer exagerado, mas será?


 Enquanto tudo isto acontece, estamos nós ocupados, compreensivelmente, em arranjar uma forma de pagar a renda, a próxima factura da luz, da água e no meio de tudo isto ainda conseguir ter alguma comida no frigorífico…


 E por falar em contas, a Electricidade já foi privatizada e liberalizada, o que supostamente iria produzir competição entre empresas e consequentemente a redução de preços, mas pelos vistos não é bem assim… 


 A próxima será a Água…


 Este plano tem tudo para ser bem-sucedido, a não ser que de repente o povo acorde! HC

09 agosto, 2013

É Muito Boa Pessoa, Só é Pena Ser Comunista!

"Não duvido que este Senhor foi na realidade um grande escritor, além de outras virtudes. Como ideologia política que escolheu, dou-lhe nota negativa."

Este foi um comentário que li relativo à notícia da morte de Urbano Tavares Rodrigues.
Este entre muitos que oiço e leio sobre comunistas mortos e vivos, que por onde passam só deixam boas impressões, à excepção de um aspecto, serem comunistas!

Será que a incoerência de raciocínio dos demais é tal que não conseguem conceber que tudo isto pode estar relacionado?

Estas pessoas escolheram como ideologia o comunismo por serem bons e humanos e viverem de olhos abertos, sem egoísmo, nem ciúme!
Muitos o escolheram por ambicionarem uma vida melhor, outros por não se conformarem com a sua posição social e ambicionarem para os outros aquilo que eles já têm!
A isto chama-se altruísmo!
Podiam muito bem ter-se ficado, como de resto faz a maioria das pessoas abastadas, pela caridade, a pena e a contribuição de algum género alimentício ou monetário.
Essa seria a forma mais fácil de aliviar o seu remorso, o mais difícil é descer do pedestal!

Percebo que o Comunismo tem a sua reputação manchada pelas suas diversas aplicações práticas mal sucedidas, mas na minha humilde opinião, o comunismo nunca foi realmente aplicado, pelo simples motivo que este não se aplica, este acontece e acontece apenas quando todos o querem, sem isso, nunca irá funcionar.

O Comunismo não é um partido político, é uma filosofia de vida, há quem o compare até a uma religião, à falta de melhores argumentos.
Com isto quero dizer que há muitos comunistas que não estão no PCP (nem em qualquer outro partido da esquerda comunista) e há sem dúvida muitos militantes destes partidos que não são comunistas.

A Utopia do Comunismo como é chamado por muitos, mas meus amigos, o sonho comanda a vida e mesmo que não se chegue lá nunca, o importante é a viagem e o saber que a cada dia se está mais perto de algo melhor.

Prefiro viver nesta Utopia que no mundo que vejo todos os dias pela janela.
Em que todos se atropelam quando se poderiam unir.
Em que se deixam escravizar quando se podiam libertar!
Em que acreditam que a ganância, a inveja e o ciúme são a características da natureza humana!


Pois há pessoas que provam o contrário, conheço algumas, uns comunistas, outros não… mas capitalistas… Nenhum! HC

17 junho, 2013

PORTUGAL, UM PAÍS ESTÚPIDO…

Quando uma classe profissional tão influente na construção do nosso futuro é atacada da forma que foi e resiste da forma nobre como o tem feito, num país normal toda a população se uniria à sua luta.

Num país normal, os alunos juntar-se-iam aos professores e transformariam esta luta numa defesa inequívoca pela Escola Pública!

Num país decente o governo não se senta à mesa com os sindicatos para negociar greves ou datas de exames, senta-se para negociar o motivo que leva uma classe profissional a decidir fazer greve!

Um Governo normal defende a Constituição!
Segue as indicações do Colégio Arbitral!
Não se vinga no povo quando não lhe fazem a vontadinha!

Um Povo normal sabe que tem que defender os seus interesses!

Num País de gente desperta, a comunicação social não cria opinião, Informa!

Num País de gente culta, um povo não engole as patranhas de governantes demagogos e não se deixa virar contra si próprio!

Num País Normal, com um Presidente da República Normal, este Governo já não o era!

Portugal vai continuar a ser governado por bandidos de fato e a bater palmas!
Este povo vai ficar despojado de todos os seus direitos e sorrir
Vai comer Merda e ainda vai agradecer!
Porque afinal de contas quanto maior o sofrimento, melhores fados serão compostos!

Mas este é um país Sui Generis!

Sui Generis e Estúpido! HC

23 abril, 2013

Yes We Can! …But We Won’t…


Já em 2008 que pensei em escrever isto, mas com todo o fenómeno que se criou em torno do personagem em questão, decidi não o fazer e dar ouvidos aos Seres Humanos que, sendo certamente mais evoluídos que eu, acham que se devem dar benefícios da dúvida a todo e qualquer individuo com um tom de voz agradável.

Este texto será então sobre Barack Obama, como já devem ter calculado.

Quero salientar em primeiro lugar que é muito perigoso ter um presidente negro, porque tudo o que um individuo de cor diz tem sempre mais estilo e mais piada do que alguma vez algum branco terá e isso é perigoso quando se trata de alguém cuja profissão é enganar o mundo, porque vai conseguir fazê-lo muito melhor que qualquer branco faria, com a vantagem de tocar ainda no complexo racial dos Norte-Americanos, que neste momento é qualquer coisa como: “Já que não posso descriminar negativamente, porque parece mal, vou descriminar positivamente, sem descriminar é que não fico bem!”

Questões “raciais” à parte, Obama conseguiu candidatar-se a presidente dos EUA e conseguiu angariar papalvos suficientes para ser gerado um movimento de tal forma grande à sua volta que até em Portugal teria sido eleito caso se decidisse candidatar.

A minha lógica em relação à política dos EUA é: Se conseguem sequer candidatar-se é porque são iguais aos outros, mas temos que dar o benefício da dúvida… (esta do beneficio da dúvida é que ainda não me convenceu)
Das duas uma, ou eles acreditam mesmo que vão chegar lá e mudar qualquer coisa, mas só depois de lá estarem é que percebem que quem comanda o país são os lóbis (de toda a natureza e mais alguma), ou eles sabem que não vão mudar nada e ainda assim mentem com os dentinhos todos que têm na boca. (a segunda hipótese é-me muito mais apelativa de acreditar, mas isso sou eu)

Resumindo, o Sr. Obama já vai num segundo mandato, o que significa que foi eleito duas vezes, já conseguiu fazer algumas lavagens de cara ao seu império, ainda não foi apanhado a ter um caso com nenhuma secretária, não dá muitas calinadas e apanhou o Bin Laden o que faz dele, pelo menos o melhor presidente dos EUA dos últimos 20 anos, resta saber quem vai beneficiar com esta presidência, quem não vai beneficiar nada eu sei, somos nós, o resto do mundo e uma grande maioria do povo dos EUA. HC

07 abril, 2013

Complexidades

Já de algum tempo a esta parte tenho vindo a reparar que tudo o que se relaciona com assuntos políticos se reveste agora de uma complexidade extrema, já nada é como é, tudo tem que ser tido em conta, mesmo que não signifique nada e sirva apenas para "acagaçar"!

“Deus Nosso Senhor nos Livre de nos Revoltarmos, aí então é que nunca vamos sair desta crise!” 

Esta parece ser a mensagem que tem vindo a ser transmitida de forma continuada.


Ora vejamos:

- Não podemos demitir os governos porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

- O Tribunal Constitucional não devia ter chumbado o Orçamento de Estado porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

- Não se podem apresentar moções de censura porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

- Não se podem demitir ministros, mesmo que do mais incompetente dos sujeitos se trate porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

- Não podemos ter eleições antecipadas porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

- O maior partido da oposição não devia rejeitar nenhuma medida do governo porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados;

-Não se pode dar um peido porque isso cria instabilidade e desconfiança nos mercados, para além de cheirar mal e ser falta de educação!

E estas foram só algumas poucas coisas que me ocorreram das inúmeras barbaridades que tenho vindo a ouvir e a ler.

De toda esta retórica que se tem vindo a desenvolver nos últimos tempos só uma coisa me ocorre, os mercados são uns grandes fascistas, tudo o que se possa a assemelhar a uma República Democrática de Pleno Direito a funcionar cria instabilidade e desconfiança nos mercados.

Para além de que se os mercados fossem uma pessoa e não uma espécie de Papão para adultos, essa pessoa teria graves problemas de saúde mental e estaria provavelmente internada num hospital psiquiátrico com um esgotamento nervoso! HC